Paulo 的个人资料EXPEDIÇÕES照片日志列表更多 ![]() | 帮助 |
|
10月17日 EXPEDIÇÃO RIBEIRA ITAOCA (11-9-06)
Boas!!
Como foram de remada no Mogi e o resto que não foi como foram de feriado?? Espero que bem!
Eu remei no rio Ribeira entre as cidades de Ribeira e Iporanga. Fui tentar sozinho, porque estava com vontade de experimentar a sensação e me senti bem. Como já suspeitava remar é uma atividade solitária, mesmo em grupo.
A logística nesta expedição era para ser difícil se a Edi, minha esposa, não tivesse colaborado pacientemente. Ela e a Paula, minha filha, levaram-me até Ribeira e foram até Iporanga para esperar minha chegada. Percorrendo um trajeto de 300 km e uma boa parte em estradas precárias.
Agora falemos sobre o rio. Comecei a remar na quarta a tarde, dia 11, por volta das 14:00 horas e já no primeiro quilômetro peguei 3 corredeiras nervosas. Pensei “Se continuar assim não chego a Iporanga inteiro”. Dito e feito. O rio, naquele trecho, é extremamente difícil, pois estava muito seco e seu leito, cheio de pedras de todos os tamanhos tornava a remada tensa e cansativa.
Imagino que com mais remadores, algumas corredeiras pudessem ser enfrentadas sem portagens, mas em sua maioria, as corredeiras exigiam portagens, mesmo que sem ter que tirar tudo de dentro da canoa. Consegui passar várias, somente descendo da canoa e conduzindo a “nesta altura da remada COITADINHA” através das corredeiras.
Logo no começo do rio, fui informado por ribeirinhos, da existência de um local chamado de “varadouro”. Local esse, que segundo a crença da região, quem entra só sai “preto”.
Perguntei quanto faltava para chegar até tal varadouro e fui informado que faltavam 6 km +/-. Pensei “Tô ferrado”. Já fiz 2 portagens em 3 corredeiras no primeiro km de rio e ninguém disse nada a respeito, só falando desse tal de varadouro. Fiquei imaginando que deveria ser algo parecido com o inferno dos canoístas.
Já havia remado uns 3 km quando escuto a voz da Paula, minha filha, chamando-me justamente quando passava por uma corredeira meio complicada. A voz vinha do lado do Paraná e como a situação era inusitada, não dei atenção. “Deve ser alguma criança chamando o pai e com a voz parecida”.
Continuei remando e uns 500 m adiante, novamente ela me chama e novamente quando eu passava por outra corredeira. Eita riozinho cheio de corredeiras sô!!!. Olhei para o lado e a vi o suficiente para ter certeza que era ela, mas não consegui parar para conversar. Ela e a Edi, minha esposa, foram adiante e finalmente nos encontramos em um trecho “calmo”.
Estava preocupada, pois um policial a havia parado para informar da existência do varadouro e indagar se eu estava informado a respeito. Disse também que existia uma possibilidade de portagem pela margem esquerda de quem desce o rio.
Avisei que já estava sabendo do dito cujo, agradeci o empenho em me avisar e após alguns acenos e beijos, continuei... Sempre pensando “Ninguém fala do resto das corredeiras, só do varadouro. Como pode?”.
Após infinitas corredeiras e portagens, resolvi acampar no leito do rio, em um trecho de corredeiras muito bonito. Por volta das 5 horas. Depois de tudo pronto, fiz uma janta caprichada e tentei dormir. 1 hora da manhã começou uma chuva forte e como estava dormindo no leito do rio, acordei preocupado e não dormi mais, com medo que o rio subisse. Nada aconteceu, felizmente.
No dia seguinte comecei a remar às 07h30min e após 50 metros de remada, já apareceu a primeira portagem. Essa foi rápida, mas eu não imaginava o que viria em seguida. Remei mais uns 200 metros e me vi no começo de um funil, que na rota que criei no GPS eu havia colocado uma caveirinha e escrito (FUNIL). Não deu outra, tinha chegado ao famigerado “varadouro”.
Encostei a canoa na margem esquerda, como me orientaram, e fui pelas pedras conhecer o tal. Ele começa como a boca de um funil e após estreitar, fica com uma largura de 2,50 m aproximadamente. Toda a água do rio passa por esse canal, portanto, imaginem a velocidade da água. Agora, após uma primeira curva, existe uma cachoeira de 2 metros de altura a qual está lá para que o rio tenha certeza que o incauto que, por ventura, tenha entrado no funil, não saia de lá inteiro.
Na seqüência ainda existem algumas pedras até que o rio alargue novamente. Creio que todo o varadouro alcance uns 300 a 400 metros.
Contudo, o pior ainda não veio. Depois de constatar a impossibilidade de fazer uma portagem beirando o rio ou conduzindo a canoa pelo mesmo, comecei a procurar possíveis saídas para uma portagem por fora.
O Ribeira, neste trecho, está encaixotado entre montanhas e essa situação torna complicada uma portagem desta magnitude. Imaginem esse cenário com chuva e você tendo que fazer tudo sozinho.
Bom, eu tinha que sair de lá de alguma forma e fui à procura do caminho para Eldorado. Encontrei uma trilha formada por gado e a segui até uma estrada bastante precária que acabava, ou começava, exatamente onde eu havia conseguido sair do rio. Entendo que ela deveria ser utilizada por pescadores.
Segui por essa estrada até no ponto onde ela se desviou e entrou para o interior. Havia uma pequena trilha no meio da mata e parecia que acompanhava o rio. Segui por essa trilha e após descer uma ladeira no meio da mata tornei a encontrar o Ribeira, já em um ponto um pouco mais tranqüilo, mas ainda com bastante turbulência.
Como havia deixado toda a tralha no começo do varadouro, fiquei tentando descobrir uma forma de carregar tudo até ali. 800 metros de distância em um terreno bastante acidentado e com duas ladeiras bastante íngremes.
A vontade era de fazer uma fogueira com tudo e sair andando. Sorte que essa idéia passou rápido. O que fiz foi voltar até o ponto onde estavam os equipamentos e a canoa.
Estava com três sacos estanques e quem os conhece sabe que é impossível carregá-los juntos, portanto apertei um deles e consegui montar dois sacos e meio. Carreguei esses dois até a outra ponta da portagem e voltei para buscar a canoa.
Carregar a canoa com dois remos e meio saco estanque era uma tarefa hercúlea e eu precisava resolver de alguma forma. O que fiz foi amarrar os dois remos no interior da canoa e amarrei também o saco estanque em um dos bancos.
Tudo deveria estar pesando uns 35 kilos. Carreguei tudo nas costas e fui cambaleando entre as pedras do leito do rio até a passagem para a estrada, que se encontrava uns 150 metros a frente.
Lá chegando, coloquei a canoa no chão e respirei um pouco. Carreguei tudo novamente e comecei a dolorosa subida até a estrada, que ficava a 3 metros de altura do nível que eu me encontrava. O chão estava barrento e muito escorregadio.
Como já era de se esperar, na penosa subida eu escorreguei com a canoa na cabeça e tudo caiu sobre mim. Por pura sorte estava em uma pequena depressão formada por freqüentes enxurradas e fiquei na valeta e com a canoa em cima.
Comecei a rir, pois estava literalmente preso entre a canoa e o chão lamacento, cansado de tanto fazer portagens e carregar aquele peso excessivo e talvez de desespero, visto que a tarefa estava longe, mas muito longe ainda, de acabar.
Recomecei a subida e alcancei bravamente a estrada. Imaginando como faria para chegar até o outro ponto, descansei e esperei que, talvez por pura sorte alguém aparecesse com um jipe e me ajudasse com a canoa. Como não aconteceu coloquei tudo na cabeça novamente e continuei a caminhada.
Andei 400 metros e desisti, pois minhas costas e pescoço estavam em frangalhos e não agüentava nem mais um passo com aquilo tudo. O chão estava bastante ensopado e como ninguém andasse por aquelas paragens com freqüência, a grama estava alta.
O que fiz foi amarrar a corda em minha cintura e ombros como se fosse um arreio e puxei tudo até o outro ponto. Desci arrastando a canoa até o rio e recoloquei tudo em cima dela novamente.
Depois de tudo acertado, um gole de água e estava pronto para recomeçar. Foi o que fiz e na curva seguinte do rio imaginei que estava com o caminho limpo, pois a visão que me esperava era de um rio plácido e sereno. Remei assim por 1 hora, percorrendo 9 km.
Cheguei a uma balsa distante 3 km da cidade de Itaoca, que faz a ponte entre essa cidade, que fica no Estado de São Paulo e o Estado do Paraná. Lugar tão conhecido que a balsa não consta nem no guia 4 rodas.
Passei por ela sem delongas. Eu estava atrasado com o percurso porque o varadouro havia me tomado um tempo enorme. Eu fiz a portagem do varadouro no incrível tempo de 02h30min, ou seja, percorri 800 metros neste tempo. Acredito que até uma tartaruga seria mais rápida.
Após percorrer 200 metros da balsa de Itaoca comecei a encontrar corredeiras novamente. Logo na primeira precisei da ajuda de pescadores para me dizer qual era o melhor ponto de passagem. Em 3 corredeiras, consegui descer embarcado, mas precisei fazer portagens em duas, mesmo que ao lado da canoa. Tanto melhor, pois não agüentava carregar mais nada.
Acontece que depois de 5 corredeiras e 2 cachoeiras pequenas o rio ficou muito estreito e a correnteza novamente forte. As pedras do leito seco tomavam conta da paisagem, dando ao lugar uma aparência singular.
Amarrei a canoa em um local seguro e subi um morro à procura de caminhos para uma nova portagem, mas só encontrei mata fechada e pedras até onde a vista podia alcançar. A única opção seria entrar no canal formado no leito e arriscar, pois ele fazia algumas curvas e não dava para saber o que viria pela frente.
Entre arriscar uma nova empreitada e voltar para Itaoca enfrentando as corredeiras, decidi pela segunda opção. Voltar, voltei, mas deixei um pouco do meu couro naquelas pedras. Corredeiras existem para serem descidas e “nunca” subidas ou escaladas ou rastejadas ou o que quer que seja.
Um trecho que demorei 1 hora para percorrer descendo, acabei demorando quase 4 horas retornando. No final foi uma boa escolha, sem arrependimentos, apesar de um curioso local me informar que dava para eu ter descido, pois ele mesmo já havia feito o trajeto e disse que o pior era a segunda cachoeira, a qual eu passara sem maiores problemas. Não acreditei nele.
Já no porto liguei para Edi que veio ao meu encontro para o resgate. Como já era esperado a estrada entre Iporanga e Itaoca foi uma outra aventura e muito mais perigosa que o rio. Aquela velha história. O perigoso é a ida e a volta e nunca o rio.
A paisagem durante toda a remada é belíssima, mas interessante que as montanhas que circundam o rio estão todas desmatadas e sem nenhum cultivo aparente. Situação bastante diferente do trecho entre Iporanga e Eldorado, onde a reserva salvou a mata de um destino semelhante.
A conclusão final é que se o rio estivesse com um metro a mais de água a remada seria mais suave e com mais um remador, todas as portagens seriam possíveis. Vale uma nova tentativa. Fica o convite para possíveis interessados. Vejam o restante das fotos e expedição ribeira itaoca.
引用通告此日志的引用通告 URL 是: http://microer.spaces.live.com/blog/cns!BFBF74DC718111EC!737.trak 引用此项的网络日志
|
|
|